..daquilo que me move...
...DAQUILO QUE ME MOVE... a última etapa da trilogia propõe a reflexão do tema SAUDADE e SONHO. A criação de sentido e relação entre o passado e o futuro, daquilo que nós fomos, com aquilo que desejávamos e o que finalmente nos tornamos. Almejar, planejar, sonhar.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Performar..
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
QUANDO VOCE ESTIVER COM 80 ANOS E DIGITAR NO GOOGLE O SEU NOME, O QUE VOCÊ ESPERA LER?
Difícil estímulo, mas na verdade eu nem sei se quero chegar aos 80 anos. A verdade é que eu nunca tinha parado para pensar nessa possibilidade. Eu acho que eu não quero viver tanto. Eu ainda tenho os meus sonhos adolescentes de viver uma história de filme, uma produção hollywoodiana, com direito a fuga em alto estilo, riscos de morte, carreira bem sucedida, um amor pra todo sempre e tudo que tiver direito.Queria ser tratada mais como uma lenda do que um fato verídico, não ser reconhecida como uma pessoa que fez muitas coisas extraordinárias, mas uma pessoa que fez uma coisa apenas, porém uma pessoa que fez tão bem aquela única coisa que ninguém conseguiu esquecer. Uma coisa que alguns tentaram fazer, muitos criticaram, mas que ninguém, ninguém mesmo tenha conseguido fazer igual.Poderia ser qualquer coisa seja ela no meio: artístico, familiar, amoroso... Sem importar o que e sim que somente eu Kamila Rodrigues dos Santos tenha feito. Eu não acredito muito em acaso, eu acredito em destino e não em um destino traçado, mas um destino que eu escrevesse a cada dia. Uma história, uma linda história cinematográfica.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Inspirações..
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
- Manoel de Barros -
Inspirações..
Esbarrei em Henry James e o oco fez mais sentido: todos os abismos são tão rasos...
Passei por uma loja de sapatos e experimentei os mais bonitos: nenhum dele coube em mim.
Hoje fui atingida.Estou leve, ao contrário.Estou forte, ao contrário. Estou minha, do avesso.
Um dia eu te disse que queria casar só pra entrar na igreja ao som de Beatles. Que All my loving ia ficar bonita e feliz em um dia com flores brancas e talvez assim eu ficasse também. Você me achou estranha e teve medo, mas comprou meu jogo. Disse que se fosse assim, Eleanor Rigby tinha mais a ver comigo. Você me disse isso enquanto viajávamos, eu dirigia sorridente e o trilho do trem que acompanha a estrada não me deixou olhar seus olhos. Mas tanto faz, eu não perceberia sua maldade mais uma vez. Cantei Eleanor Rigby por 800 quilômetros, mal sabendo que a moça da canção era eu mesma. Cantei pra você como uma dama na sombra. Hoje canto como quem cata o arroz do chão dos casamentos e, sozinha, faz festa ao jogar em si. Estou eternamente no final da festa. Sou eu a mendiga das bodas alheias. Foi essa a herança que você me deu.
BARBARA FIGUEIRA


